“Vimos comunicar a sua seleção para participar de estágio no projeto “Jovens Lideranças para a multiplicação de boas práticas socioeducativas” em Bissau, Guiné-Bissau, no período de 11 de abril de 2011 a 30 de junho de 2011”

É… Hoje faz 20 dias que eu recebi essa notícia que deixou minha vida de cabeça para baixo. Menos de um mês atrás, minha maior preocupação era conseguir que a escrivaninha que eu havia comprado na internet fosse entregue. Mas aí recebi o e-mail acima, tranquei a faculdade e agora estou na África, algo que eu sempre quis, mas não esperava fazer em menos de 10 anos.

Noite sozinho em Brasília. Tirando foto na sacada do quarto do hotel.

Peguei o avião em São Paulo na manhã da quinta-feira passada (dia 7). A primeira parada foi Brasília. Fui do aeroporto para o hotel onde os outros estagiários ficariam a partir da sexta (cheguei um dia mais cedo porque queriam me explicar algumas coisas sobre minha função). Soube do preço da diária com uma grande dor no bolso, mas, como não sabia o preço dos outros hotéis, não tive muita escolha. Além disso, já sabia que os hotéis em Brasília são bem mais caros durante a semana.

Na ABC, fui introduzido ao trabalho que faria aqui. Como estagiário da área de administração, serei responsável pela gestão financeira do projeto: controle da conta corrente, das receitas e despesas, das compras e da prestação de contas. Para as compras, tenho que seguir um termo de convergência, que harmoniza as regras do Brasil e as regras internacionais do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento). Formalmente, não há grande diferença para as regras para as compras do Estado no Brasil. A grande questão é a adaptação dessas regras à realidade de um país que tem que importar quase tudo que precisa e no qual, consequentemente, muitas vezes não há mais que dois fornecedores de determinado produto. Para a construção da base da escola, por exemplo, a equipe do projeto comprou todo o cimento de Bissau (a capital e maior cidade do país). Ainda devo escrever bastante sobre essas dificuldades por aqui…

Sexta-feira foi o dia da primeira reunião da equipe, na ABC (Agência Brasileira de Cooperação). Recebemos mais informações sobre o país e sobre nossas funções e assinamos o contrato com a Unesco. Somos seis estagiários, um de cada área: Andréa (Serviço Social), Jaqueline (Arquitetura), Lia (Pedagogia), Marco (Engenharia Civil), Maria Fernanda (Comunicação) e eu (Administração). As idades variam de 21 a 30 anos (sou o mais novo).

Da esquerda para a direita: Maria Fernanda, eu, Andréa e Marco

Conscientes de que é fundamental que fiquemos unidos durante todo esse tempo, começamos a sair juntos já na sexta-feira. Saímos da ABC para almoçar no restaurante da Câmara (que tinha conhecido na viagem à Brasília, no ano passado e que salvou meu bolso do preço da alimentação de Brasília) e fomos à Praça dos Três Poderes, onde tiramos nossa primeira foto da equipe (embora desfalcada pela Lia e a Jaqueline, que são de Brasília e ainda precisavam resolver algumas pendências antes da viagem).

No dia seguinte, saiu nosso voo para Portugal. Não há voos diretos do Brasil para Bissau, então precisamos fazer o “grande sacrifício” de ficar um dia em Lisboa até o horário do nosso outro voo, que sairia às dez da noite (chegamos às sete da manhã). Mas essa história vou contar amanhã.

Obs.: Tenho milhares de coisas incríveis para contar sobre Bissau. Mas prefiro manter a ordem cronológica, mesmo que atrasando um pouco. Amanhã falo de Lisboa e até o fim de semana deixo esse blog em dia. Tenham paciência com a minha falta de tempo…

Obs.2:Quem ainda não entendeu que projeto é esse em que estou trabalhando, pode olhar essa página: http://is.gd/gzwvi4

Obs.3: Este blog está uma baderna, eu sei.

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